segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Nada de pneumotórax

"E as coisas lindas são mais lindas
quando você está..."

Nada de pneumotórax. Provável dor muscular mesmo. Enquanto o soro percorria o caminho entre o frasco e a minha veia, eu tentava ler o livro que me fazia companhia na sala, pq ninguém estava a fim de papo...mas a dor era tão forte que não dava pra concentrar a atenção em nada...só mesmo no frasco do soro e nos pensamentos que iam e vinham incessantemente.
Juro que não pensei em nada produtivo.
Pensei em ligar pra avisar meu pai q eu não tinha ido esse fim de semana na casa dele, pq estava presa no ambulatório de um hospital, mas desisti. Certas coisas podem muito bem ficar sem explicação.
Pensei em ligar pro meu ex-namorado. Pensei sim...que engraçado não???
Pensei nos brigadeiros me esperando na geladeira e me perguntei pq a gente não sente sede enquanto faz soro.
Pensei em mandar o médico que me atendeu a puta que o pariu, mas não mandei.
Pensei no quão legal era estar sentada ali, com uma agulha enfiada na mão e sozinha.
Pensei que eu devo ser uma ótima pessoa por isso.
Mas pensei tanta bobagem, que desisti de tentar entender tudo aquilo e me concentrei em ficar brincando de fazer o sangue refluir pelo catéter do soro.
Eu só tenho certeza de uma coisa: estou à espera de um milagre. Pode ser que eu canse e resolva que não vale a pena ser apenas jogador reserva e parta pra a escolha de um outro time, que acredite que eu possa ser titular em algum momento, ou pode ser que eu me convença de vez, que a minha mãe é que tem razão: o amor não existe e os homens são todos iguais.

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