sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Conversa de sexta


Ela estava lá e eu estava aqui. Estávamos nós duas, silenciosas a nos fitar, cumplices do acaso. Se ela falasse, diria coisas que certos ouvidos não poderiam ouvir.
O fato é que ela me olhava com seus olhos de farol, do alto de toda a sua soberba negra, da sua imponência que só ela sabe ter. E enquanto nos olhávamos, a noite caia, o vento soprava e, em algum lugar não muito longe, "hey hey, my my" tocava n'alguma vitrola.
Poderia ficar toda noite mirando seus olhos prateados...eu e ela lembrando das coisas ocorridas no seu interior e na sua presença, das palavras ditas em meio às músicas de rock ou das baladas românticas que ninguém mais ouve e que poucos cantam.
E a olhava e ela me falava com o seu silêncio, que um dia, quase me viu chorar, mas que o meu choro ficou perdido e com vergonha em meio ao diálogo alheio...E eu dizia, com meus olhos, que sentia inveja dela e que gostaria de estar com ela mais vezes.
Durante essa nossa conversa silenciosa, ela ainda quiz me dizer que havia ouvido as conversas das pessoas e que percebera algo no tom de voz delas. Mas disso eu não quiz saber...
Por minha vez, perguntei a ela quem era a preferida, quem fazia seu coração de ferro acelerar, mas ela não me respondeu. Calou de vez e, nesse calar, de repente, a noite ficou barulhenta. Já não éramos apenas nós duas. Ela nada mais disse, nem mais me olhou. E assim, a escuridão desceu e se colocou entre nós duas, como a cortina que desce quando o espetáculo termina.

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