quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Trabalho de Férias


O filme "Quanto vale ou é por quilo?", de Sérgio Bianchi, traz uma analogia entre o tempo atual e o tempo em que vivia-se a escravidão dos negros no Brasil, entre a casa grande e a senzala com a elite burguesa e o proletariado favelado do país.
Ele nos mostra a realidade de trambiques e a corrupção existente nos meios onde o dinheiro se faz presente, dando como exemplo as Organizações Não-Governamentais – ONGs, que usam da miséria como um estratagema para enriquecer e engordar cada vez mais as contas bancárias de pessoas que fingem estarem preocupadas com o social, com o bem estar de quem não tem nada.
Chocante é pensar que as pessoas que têm o poder para fazer a realidade do povo um pouco menos dura, não o fazem e, pior ainda, que existem aqueles que fazem em troca do estrelato, da fama de “grande pessoa solidária”, dos milhões de dólares que circulam em tal meio. Enoja ver as cenas de Assistencialismo burguês, oferecendo coisas inúteis, de projetos “sem noção”, a fim de lavar dinheiro ou fraudar a Fazenda Pública, pois, afinal, quem faz um trabalho de caridade sério, merece que não lhes sejam cobrados os impostos para que possam continuar o trabalho bonito que fazem.
Não existe diferença entre o século XIX e agora. O trabalho escravo ainda existe e a miséria ainda envergonha.
Quem quizer e aceitar, que finja que a corrupção não existe, que os projetos sociais são realmente sérios e com pessoas honestas trabalhando. Do contrário, corre-se o risco de pagar o preço do heroísmo. Corre-se o risco de perder a vida, pois quem denuncia o que está errado, é visto como inimigo, pois gente honesta é vista como pedra no sapato do poder.
È uma pena que as pessoas com vontade de trabalhar como deveria ser, ou seja, fazer realmente o trabalho para o social, voltado para as pessoas que estão precisando da verdadeira atenção, estejam de mão praticamente atadas para tanto, pois o dinheiro para tamanho investimento vai parar em mãos erradas, para gastos pessoais e não para reincluir o preso na sociedade, não para ensinar um ofício para o jovem, não para combater a violência na raíz. Infelizmente, nosso país,m a realidade que conhecemos e por isso podemos falar, tem sempre alguém tentando e encontrando uma forma de se dar bem às custas do so frimento dos outros.
Quem não consome, é refugo, como já falava Baumam em seu livro.
Quem não tem dinheiro, está na margem e então, vira literalmente, marginal.
Está tudo errado porque começou errado e ninguém sabe agora, como consertar. Ainda vivemos numa época de escravos e garantismos, de patrimonialismo e democratismo. Dois séculos se passaram e nada mudou. Quantos serão ainda necessários para que se amenize tantos problemas sociais, para que se resolva a falta de estruturas e para que as políticas públicas tenham uma função verdadeira? Quem sabe nossos netos ainda possam ter um futuro menos doente. Assim esperamos...e esperamos.

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