terça-feira, 20 de abril de 2010

Domingo, 18/04/2010.

A chuva, depois de algum tempo sumida, retornou a essas bandas.
Dia típico pra não fazer nada...minhas meias de carneirinhos estão molhadas...
Mas hoje não é sobre mim que quero escrever. Não aconteceu comigo, mas poderia ter acontecido com qualquer um. A história versa sobre três indivíduos: dois coelhos e um lobo e começa assim:
"Saiam cedo da gaiola. Saiam para o sol do domingo desta vez. Saiam em ordem a medida em que iam sendo devidamente dispensados.
Dois deles foram para o mesmo lado, sentaram-se separados e não trocaram palavras ou gestos. A distância entre os dois era pouca, mas ainda assim, havia uma distância.
Momentos mais tarde, ao largo, aponta uma figura não muito boa. Sim, era o lobo que vinha vindo. Passos duros, firmes e rápidos na direção dos coelhos.
Nessa hora, nenhum dos coelhos pensou muito bem, mas ambos tiveram a mesma idéia. Levantaram-se e entraram na mesma floresta, com a idéia de despistar o lobo e a morte. No meio do mato encontraram duas tocas, mas entraram na mesma.
Não havia mais distância entre os coelhos. Os dois travaram juntos a mesma batalha, com a mesma intensão naquele instante...O sentimento entre eles era o mesmo.
Mas o lobo estava sedento e queria imolar um dos coelhos naquele domingo de sol, onde muitos dormiam despreocupados.
Eles resistiram algum tempo, só que acabaram por sucumbir a ferocidade do lobo.
Então, ficaram os coelhos de frente para o lobo (ou seria para a morte?).
O lobo mirou apenas um dos coelhos, enquanto o outro, sem alternativa, encolheu-se no exíguo canto da toca.
Oito disparos acertaram o coelho azarado, numa chuva barulhente de cartuchos deflagrados e sangue sobre o coelho encolhido, que, como num velho clichê de quem vê a morte tão de perto, viu sua vida rodando na sua frente.
Silêncio. Tumulto.
O lobo disse que seu sacrifício para aquele dia já havia sido cumprido e partiu, vitorioso, orgulhoso da caça.
O coelho sortudo (?), que não tinha certeza se aquilo era a vida real, ou apenas um sonho com a cena de algum enlatado hollywoodiano que vira num desses dias de chuva, ficou imóvel por segundos que pareceram horas.
Novamente havia uma distância entre os coelhos: a morte e a vida estavam estava ali.
Levantou com pernas que não pareciam suas e foi embora antes dos corvos aparecerem para dar conta do fato.
O outro coelho virou estatística, notícia de jornal.
O lobo anda por aí, à espreita da gaiola e a sua voz ainda ecoa para o coelho sortudo (?): A GENTE VOLTA.

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